As dúvidas são
eternas? Mas elas não deveriam girar junto com a rotação da
Terra? Ou será que a Terra se resume em um trem, por exemplo, o
metrô em São Paulo, e as dúvidas vivificam-se em preenchimentos de
massa podre... A dúvida uma estagnação? Um planeta de dúvida?
Eternamente dúvidas, dúvida, duvida.... resta ainda um
futuro esperançoso na putrefação?
ensaio ao engenho
O saber não deixa de
ser ignorância.
A ignorância não
deixa de ser comodismo.
E sim, é comodismo o saber.
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Algumas inquietações me fazem viver, aos que morrem fica o dito merecido.
Das falsas academias
formam-se falsos alguma coisa – aberrações para mim, ganhadores
do louro nas esquinas.
Das ovelhas em lã pura, transmutações genéticas bem conhecidas – gritantes para mim,
preciosidades de amores nas esquinas.
Das autoestradas rumo
ao horizonte, precipícios sem pontes, sem choros, nem velas - curvas
para mim, curvas nas esquinas.
Algumas inquietações
me fazem morrer, aos que vivem fica o dito merecido.
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Eu quero férias das minhas férias. E se é que alguém me entende, conversar seria bom.
O amanhã me assusta desde que virou o hoje. A noite é escura demais desde que não se sabe mais dos dias.
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... do interminável (meu respiro)
De uma incerteza só fazem-se mil certezas. A vida é oca e
transbordante, não adianta perguntar o porquê.
Mudam os nomes, as estações, as explicações, mas lá, depois de uma
ponte, atrás de um morro ou no meio de uma cidade, as figuras se repetem, os
ritos se completam e os mitos se atropelam. Voltamos ao início e chegamos ao fim, sempre
podendo não ser bem assim, sempre precisando ser bem assim... como bem entendermos.
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Novamente o amargor. O vazio dentro, o frio fora. Fraqueza demais ou a vida que exagera? Todo mundo tem nós indesatáveis? Todo mundo?
Será tudo que fazemos uma grande desculpa? Trabalho, lazer, buscas... tudo no fundo distração para não pensar, uma fuga para afastar a vontade de simplesmente não estar? Até aqueles que dizem pensar, em suma, apenas distração...
Assim, sábio seria aquele que melhor sabe se distrair? Ou aquele que sabe dar fim a vida o mais breve possível?
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o que não é?
acordar com os olhos ardidos do choro que não se teve
aguentar a dor de cabeça da noite em claro que não se passou
sofrer a terrível queda do chão até o chão
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Sorriso torto
Como é possível dormirmos na insignificância? E se adormecermos, como será possível o descanso em um sono tranqüilizante?
A insignificância me dói, causa ânsia... eu durmo sambando na cama e acordando ainda mais dolorida, mas sempre quando eu saio na rua o sol ainda nasce nos sonhos vizinhos e aquela solidão não se desfaz jamais, jamais – o meu descontentamento é a loucura que me isola, um animal acuado por olhares que não olham.
A insignificância não existe lá fora... só eu a carrego comigo, só eu a observo em itálico – e se eu resolvesse abandoná-la no porão de casa então eu não sentiria e não seria nada disso, eu teria o sorriso e o paraíso que todos compartilham... lá fora... o sorriso e o paraíso que só a insignificância pode proporcionar.
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Água mole em pedra dura... tanto bate até que fura!
Era
quase previsível demais que minha rabugice não se amenizaria com a
beleza plástica, leve e virtuosa de Donka... pelos previsíveis motivos de não
alçarem meu coração junto do lustre que derretia sem fogo, de não sapatearem
sobre meus sonhos, de não contorcerem minha alma até ela caber dentro de um
balde acrílico e transparente. Era tudo grandioso demais, espetacular, lindo, mas
apenas me causava vontades e mais vontades de aprender como fazer... a luz,
a melodia, o canto, o sapateado, o giro no arco, o equilíbrio da esfera, aprender tudo para então recriar tudo, uma forma além da forma, um
toque além da beleza, um espetáculo além da técnica (além do dinheiro e do público
garantido).
Era
quase previsível demais também que minha rabugice cairia de quatro naquele
palco circular, transparente, despido, com seu único homem (baixo e de pouca
beleza aparente) bailando compassos de cores para uma platéia desfalcada e não
tão entusiasta, arremessando cuspes embrionários, perfurando almas com quinas de
molduras, preenchendo o vazio do espaço deformado de dores. Era solitário,
precário e não tão espetacular, mas lindo, lindo, muito lindo... a beleza de formr
entendimentos, questionamentos, sensações, vidas.
E
se todo esse cenário de minha opinião previsível for considerado ruim por ser previsível,
não há problema: O livre é desmedido de tudo isso! Essa é a arte e a vida que eu
acredito... aquilo que pode usufruir do previsível em seu favor. Porque às
vezes os ditados são batidos, são clichês, são previsíveis, mas são os que mais acertam
em cheio a ferida.
P.S¹ Dentro do previsível, Donka também acerta em cheio a ferida, que fique claro!
P.S² O outro espetáculo é A Casa Amarela
P.S¹ Dentro do previsível, Donka também acerta em cheio a ferida, que fique claro!
P.S² O outro espetáculo é A Casa Amarela
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EU TEIMO PORQUE
TEMO
EU TEMO PORQUE
TEIMO
EU TE AMO PORQUE
TREMO
EU TREMO PORQUE
TE AMO
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Meio termo nunca será digno
Por vezes a solidão é sombra, assustadora e perversa;
Outras é luz, doce e calma;
Agora terrível mesmo é quando a solidão vem sem avisar,
quase invisível e desfigurada.
Assim também é o medo que por vezes chega frio, rápido e
dilacerante;
Em outras surge alegre, brincalhão e distraído;
Agora maldade mesmo é quando ele chega oscilante, quase invisível
e sedativo.
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Dó Ré Mi
Hoje é dia de festa
Mas a festa é todo dia
Lá na curva tem uma reta
Lá na reta tem uma curva
Sob asas
Sobre pés
Sob céus
Sobre rodas
Lá na Lua tem um Sol
Lá no Sol tem uma Lua
Amanhã é dia de festa
Mas ontem também era
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Fim
Parada.
Mais morta que uma barata morta.
Mais problemática que adolescente com espinha no nariz.
Doente.
Sentada há tanto tempo que perdeu a bunda, ficou reta e
gorda dos lados.
Doente.
Cortando a cara bonita com folha de papel em branco
documentado.
Cuspindo impropérios, rabugices.
Doente
Saem pelo nariz pedaços de um coração verde ranhoso.
Doentiamente parada.
Parada feito estaca de madeira apodrecendo e deixando o gado
passar.
Doente.
Parada.
A mente parada ficando doente.
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Detalhes
Eu acredito na grandiosidade dos detalhes e na pequenez do
bajulado como principal, nas belezas onde há fragilidades que movem montanhas
com piscar de olhos... muito embora já não existam muitos bons observadores para
isto, nem por dentro e nem por fora.
Às sobras de um banquete requentado as moscas ficam voando
baixo, os vermes se arrastando um atrás dos outros e as belezas enlouquecendo
distantes de si. Isso sim é que se tem em demasia, por dentro e por fora.
E se eu deixar de acreditar será mais um detalhe que explodirá
e se tornará principal, mais uma fraqueza sem beleza e algum fim sem fim -
vazio. Uma morte dentro da gente é muito mais que milhões de mortes do lado de
fora.
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∞
A mornidão da cafeína no sangue fica latejando na cabeça. Café, cigarros, chocolate, um chazinho e algumas pílulas.
- Me vê uma Coca!
- Só tem Guaraná.
- Pode ser.
Está escuro, mas ainda vejo. Queria fechar os olhos, não fecho porque lateja. Uma luz na neblina não significa muito e um sorriso nem sempre é um sorriso.
- Nossa, quanto tempo!
- É.
- É.
Cada vez mais acordados de embriaguês todos dentro do sonho do outro, sempre outro. Consciente de sintomas de doenças que nem foram descobertas.
- Quantas folhas em branco!
- Não, estão todas rasuradas no verso.
- Ah, por isso...
Andando, correndo ou parado sobre o ∞, fazendo, comprando ou vendendo casas pré-fabricadas, tendo, abortando ou abandonando filhos preconcebidos.
- Ele é...
- É o quê?
- Ué...
Pra não ser dono da vida até roubar-se a si mesmo está valendo. E pra ser dono da vida do outro, também.
- Me vê mais uma Coca!
- Já disse que só temos Guaraná.
- Pode ser.
∞
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